Graal RJ

>Halford Capa-Negra (Parte 2)

>Halford Capa-Negra

Anos e anos de servidão leal se passam. Ao lado do Conde, Halford participou de muitas batalhas. Bandidos, mercenários, orcs, mortos-vivos… inimigos de todos os tipos foram ceifados por sua espada. Remorso, jamais.
Duelos, torneios e desafios até a morte são vencidos um após o outro, e Halford galga passo a passo o caminho ao topo da escala hierárquica guerreira, chegando ao patamar de Chefe da Guarda de Beloverde. Pura ironia, ele pensa, enquanto aguarda pacientemente sua indicação para a Ordem dos Templários. Nada mais importava.
O Conde envelhece, e com a paz nos arredores de sua cidadela, conseguida após o derramamento de muito sangue, ele pode se dedicar à criação de sua filha, Ágata.
Ágata cresce bela e culta, porém mimada e incontrolável. Seu pai faz todas as suas vontades, e ao perceber que sua filha gosta de andar pela cidade em meio ao povo, nomeia Halford como seu guarda-costas pessoal. Isso não agradou o guerreiro, mas a promessa de que no final daquele ano o Conde finalmente se sentiria seguro para liberar Halford de seu juramento e mandá-lo para a Ordem acalmou seu coração.

O primeiro mestre

Pois bem, um dos poucos momentos de felicidade de Halford foi quando, acompanhando Ágata, encontrou um velho cavaleiro que estava de passagem pela cidade. Seu nome era Aruan, o Bondoso, e havia instruído muitos jovens cavaleiros em sua vida. Halford ficou maravilhado, e conversou com o velho por muitas horas. Até mesmo Ágata, que sempre era inquieta, se interessou por ele. Mais impressionante ainda era que, apesar de não ter um dos braços, Aruan detinha uma habilidade incrível com a espada, e era uma espada pesada, também em forma de cruz, mas ao invés de dentada tinha a base grossa como um martelo. Halford passou dias treinando com o velho, e escutando suas histórias, e mais uma vez na vida sentiu um pouco de felicidade.

E assim como da última vez que se sentiu desse jeito, foi por pouco tempo.
O velho foi embora ao encontro de seu filho, pois pretendia passar sua espada para ele. Mas Aruan deixou sua marca não só em Halford, como em Ágata também. O espírito incontrolável e impulsivo da filha fez crescer nela um desejo de se tornar cavaleira como seu pai! Não era um pedido absurdo, apesar de inusitado, se não fosse um simples detalhe: nenhum nobre ou cavaleiro poderia indicar mais de um aprendiz de cavaleiro por vez, e até que o aprendiz se formasse Cavaleiro da Ordem passavam-se anos de treinamento. Só após a formatura (ou morte) do aprendiz um mesmo nobre ou cavaleiro poderia indicar outro.
O Conde Aragão aprendeu muitas coisas na vida, aprendeu a lutar, a matar, a administrar e a governar, mas não aprendeu a dizer não para sua filha. Ele não só promete indicar Ágata para a Ordem como enviá-la para o treinamento em breve.
E pela segunda vez na vida Halford se sentiu derrotado.

A Queda

Dizem que o mal age de diversas maneiras, e apesar de tudo tem muitas virtudes. Talvez a precisão com que ele age tenha que ser aplaudida! Karla, a Sacerdotisa das Trevas, vem à Beloverde disfarçada de simples clériga.
Um denso e perigoso pântano é lar de diversas criaturas, inclusive mortos-vivos, e se localiza em uma floresta próxima de Beloverde. As lendas contam de uma espada amaldiçoada que repousa no local e fortalece estas criaturas. Poucos aventureiros arriscaram sondar o local, e como essas criaturas terríveis não deixavam o pântano em nenhum momento, os habitantes da cidade resolveram simplesmente ignorá-lo.
Karla deseja a espada. Não necessariamente a espada, mas sim o poder de encantamento contido nela. Com esse poder e com o sacrifício de um guerreiro poderoso, a sacerdotisa poderia criar um morto-vivo terrível, que serviria como o guarda-costas perfeito e a ajudaria em muitas futuras missões!

Sozinha ela mesma não tinha poder para controlar os mortos-vivos do pântano, e não poderia contratar mercenários sem que levantasse suspeitas. Então ela comanda alguns pequenos grupos de sem-alma para atacar nas proximidades do pântano, matando alguns mercadores e viajantes no processo. Peões apenas, na visão de Karla. Tudo parte de seu plano.
As notícias chegam até o Conde. O pântano está sob sua jurisdição, e ele sabe que tem que tomar alguma medida! Karla, que convenientemente já se encontrava instalada na cidade e disfarçada de clériga, oferece conselhos para Aragão. Ela fala sobre a espada, e diz que esses ataques são por conseqüência do poder maligno que aumenta a cada dia. Ela aconselha o Conde a enviar homens para resgatar a espada e trazer até ela, pois um ritual poderia ser feito e todo o mal no item seria purificado.
E o Conde obedece. Como já é costumeiro nas ricas cidades de Cruza-Rios, Beloverde envia o chamado para que aventureiros se reúnam à milícia da cidade para esta missão, que seria liderada por seu próprio Chefe da Guarda.
Halford tinha sua própria missão. Sua alma estava dando o primeiro passo para a condenação.
A terrível aliança

Poucos dias antes disso, a Sacerdotisa das Trevas o contatou, enxergando nele o general perfeito para suas futuras tropas do mal. Ela oferece para Halford o poder que ele tanto queria, o poder para mover fundos e exércitos e revirar o mundo atrás de sua amada, o respeito e a glória que a Ordem jamais poderia lhe dar, a chance de concretizar o sonho de seu pai se tornando uma referência para outros homens, e o primeiro passo disso tudo seria passar por cima daquele que o enrolou e enganou por quase toda uma vida: o Conde Aragão!
O nobre mentiroso, ex-cavaleiro, pai de uma filha mimada iria pagar!
Os detalhes da busca pela espada já foram contados em várias histórias. Todos os bardos atualmente a conhecem.
Apesar de divididos em vários pequenos grupos, foi Halford quem conseguiu localizá-la primeiro. Todos sentiram um pesar quando ele voltou sem seus companheiros guardas, mas o que ninguém sabe é que ele mesmo os matou ao conseguir a arma! O sacrifício de sangue era necessário para despertá-la!
O Chefe da guarda se oferece para escoltar a clériga até o local onde seria realizado o ritual, e demonstra interesse em ficar com a arma depois, em homenagem aos colegas mortos. Tudo correria conforme os planos da dupla, se não fosse pelo Conde, amante de torneios, negar isso a Halford. Ele insistiu para que Karla utilizasse o templo dentro de seu castelo para fazer o ritual e que assim ele poderia entregar a arma purificada para um dos valorosos guerreiros que arriscaram a vida tentando achá-la, após um divertido torneio!

Enfim vingança

O conde estava irredutível, e a sacerdotisa teve que pensar rápido. O ritual para criar seu lacaio não poderia ser realizado ali… mas ela poderia simplesmente transferir o poder para outro receptáculo. Com isso a espada seria “purificada” e o verdadeiro ritual seria feito depois no local adequado, utilizando o objeto que o poder fora transferido. Karla diz a Halford que precisaria de um desses “objetos”: um cajado místico, ou uma jóia rara grande, ou um animal recém-nascido ou o ventre de uma donzela pura. O chefe da guarda franze as sobrancelhas quando responde que o último item era melhor…
Enquanto a atenção de todos se dirige para o torneio, Karla realiza o ritual de “purificar” a espada. Halford utiliza um veneno paralisante entregue por sua nova mentora e leva Ágata até o local. Terminado o ritual, a espada é entregue ao vencedor enquanto a nobre mimada repousa paralisada em seus aposentos, sem levantar suspeitas… ao menos por enquanto.
Karla parte discretamente, e diz que vai criar uma distração para que Halford possa levar Ágata. Seria a vingança perfeita.

O golpe final

A sacerdotisa então deixa seu disfarce de lado e ataca a cidade, comandando uma leva gigante de mortos vivos!!!!
Muitos aventureiros ainda estão na cidade, e ajudam a defendê-la! O Conde e Halford lideram pessoalmente a linha de defesa.
Eram criaturas medíocres, e os mercenários se divertiam mais do que corriam perigo. Passado o medo inicial, começavam a desdenhar da ex-clériga! Como já era esperado, em meio a batalha, o Conde pede para seu chefe da guarda que verifique se sua filha está bem, visto que a situação estava controlada.

Ninguém estranhou quando Halford voltou em um cavalo, carregando na frente uma pessoa sonolenta. Começam a estranhar quando a pessoa começa a balbuciar, pedindo socorro, mas ainda assim ninguém faz nada! Quando Halford cruza a linha de defesa e se dirige para o grupo inimigo, só aí o Conde reconhece a sua filha e começa a gritar para os homens detê-lo! Todos hesitam, e parecem se preocupar mais com a pilhagem fácil do que com as ordens do Conde.
Karla lança seu ataque final, com os mortos vivos mais poderosos (que estavam convenientemente escondidos) e foge junto com Halford. Ninguém os segue. Ninguém obedece aos apelos do Conde. O plano maligno, apesar de simples e óbvio, havia se concretizado!

Nesse dia alguns guerreiros pereceram, mas uma alma em especial se perdia para sempre… e muitos ainda vão pagar o preço por isso…

Quem poderá detê-los?

Este é nosso famoso Halford, Capa-Negra. O que mais me assusta é uma certa semelhança ao Richard, O Espantalho…

Agradecimentos ao escritor Raoni “Galafar/Halford”, QUE TAH FAZENDO ANIVERSÁRIO HOOOOJE!!!
AEEEW! \o/
Parabéns, Arauto Raoni! Que você continue sendo esse grande cara que nos administra, nos ajuda e nos diverte! o/

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