Graal RJ

>Estilhas de uma Desgraça

>Em uma noite chuvosa de um dia qualquer, um senhor de meia-idade entra numa taverna em um feudo próximo de Cruza-Rios. Estava ensopado devido a tempestade; trajava uma roupa que se camuflava muito bem numa floresta e vestia pesadas botas negras. Seu rosto com uma barba que não aparava havia três semanas deixava o seu rosto carrancudo e de mais idade.

Seus olhos demonstravam uma tristeza enorme e estavam marcados por grandes olheiras. Os cabelos longos estavam engrenhados e com pedaços de gravetos pendurados como se tivesse dormido em um monte de folhas. Em uma de suas mãos, carregava uma longa espada larga feita por um ferreiro dos Scáil’Ards que recebera como recompensa por ter lutado com bravura ao lado destes temerosos guerreiros.

Todos na taverna olharam instintivamente para ele seguido de um silêncio mórbido. Porém, depois de alguns minutos, a taverna voltava ao estado ao qual se encontrava com uns falando mais alto que outros e bebidas sendo servidas a torto e a direito. Ele visou uma mesa que ficava num canto mais escuro e reservado e foi até ela. Ao caminhar, nunca se desviava daqueles que atravessavam seu caminho, até mesmo um hobbit que servia bebidas teve que fazer malabares para não deixar a bebida cair devido a um esbarrão. O pequeno, a uma distância segura, ficou resmungando alguma coisa que não dava para ouvir. O estranho senhor, ao chegar na mesa na qual pretendia sentar, largou-se no banco, colocou a espada ao seu lado, cruzou os braços em cima da mesa e encostou sua cabeça neles. O hobbit muito a contra gosto, foi ao encontro deste oferecer os serviços da taverna. O estranho senhor levantou a cabeça, olhou para o hobbit sem alterar a expressão do seu rosto e, com uma voz que parecia mais um trovão, apenas pediu o Hálito de Goblin.

Uma bebida muito forte que deixa a pessoa bêbada com apenas duas doses.

O pequeno rapidamente foi até o balcão, retirou a bebida e um copo e foi de encontro ao estranho. Colocou a bebida no copo e, quando iria se retirar, o estranho senhor segurou-o pelo braço e pediu para deixar a garrafa. Sua voz parecia causar um certo tipo de tremor no pequeno, que logo o obedeceu como se tivesse sido hipnotizado. O hobbit saiu o mais rápido que pôde tentando ser discreto.

Ao beber uma dose da bebida, lembrou-se de acontecimentos do seu passado não muito distante. Estava em uma floresta em missão para o Lorde Aragão. Seu objetivo era rastrear e eliminar um grupo de orcs que estavam saqueando as caravanas de mercadores que partiam da cidade; consigo iriam mais três bons guerreiros. Ele sabia que era uma situação delicada, tudo dependia do tempo e de sua capacidade de rastrear. Ele ficou oito dias à procura destes orcs.

No nono dia, encontrou um rastro que levava a um acampamento, mas, ao chegar, viu guerreiros que vestiam um tipo de saia verde com camisas de algodão cru. Estes guerreiros dizimavam os Orcs de uma forma que ele nunca tinha visto. Conforme ele olhava estes guerreiros lutar, lembrou-se de um nome que se associava a estes: Scáil’Ards. Logo depois, junto com seus companheiros, foi de encontro à batalha. Esta havia acabado, com os orcs mortos e seus companheiros também mortos.

Porém, por mais que tenha lutado ao lado destes temerosos guerreiros, ele não conseguiu fugir da desconfiança e das muitas perguntas que faziam. Depois de ter alcançado um certo tipo de confiança, eles explicaram que estavam matando estes orcs pois estes haviam poluído a casa da grande mãe e que, portanto, mereciam morrer. Também lhe informaram que um grupo maior destes estava a poucas léguas dali. O rastreador apresentou-se como Vicent e que este era um ranger.

Vicent ofereceu sua ajuda para encontrar os orcs e matá-los. Os Scáil’Ards aceitaram com muito bom gosto.

Passados dois dias, eles rastrearam os outros orcs e os eliminaram. Porém, desta vez, alguns dos Scáil’Ards estavam feridos, assim como Vicent. Os Scáil’Ards tinham druidas com eles que recuperaram todos que estavam feridos. Após todo o processo, Vicent seguiu viagem com eles.

Estavam comendo juntos quando Vicent foi presenteado com uma espada, já que a anterior estava bastante danificada, e desde então a carregara consigo.

Passado alguns dias, Vicent voltou para Cruza-Rios e lá alcançou um status muito bom. Este se tornara chefe dos batedores e o ranger oficial de Cruza-Rios. Tornou-se amigo do chefe da guarda, o ambicioso Halford o qual há tempos desejava conseguir um título de nobre e, consequentemente, a de cavaleiro. “Bons tempos eram aqueles!” lembrou Vicent…

Ele olhava para o horizonte e de vez em quando para o copo; encheu seu copo mais uma vez e o tomou em um rápido gole. A bebida subiu como fogo ao se chocar com o estômago.

Sentiu-se como um dragão que estivesse pronto a dar uma “baforada”. Seus sentidos balançaram um pouco, porém já estava acostumado a beber; ainda mais depois daquele acontecido. Com amargura lembrou-se daquele episódio! As cenas entravam em sua mente como uma onda crescente. Por mais que bebesse, ele não conseguia evitar. Ele estava com alguns de seus comandados em uma missão que parecia impossível de resolver. Este precisava matar os mortos-vivos que vinham do pântano próximo à cidade. Os mortos vinham em grande quantidade e quando os guerreiros caíam lutando, estes se tornavam como eles: corpos sem alma que desejam somente uma coisa – fresh meat (carne fresca)!!

Um numero infindável de mortos-vivos saía de lá e era impossível combatê-los. Depois de muitas baixas, voltou para relatar o que tinha ocorrido.

Lorde Aragão ficara muito preocupado, pois os mortos-vivos estavam cada vez mais perto. Quando a vinda dos mortos-vivos ao limite da cidade tornara-se muito freqüente, uma jovem clériga apareceu…

Oferecendo conselhos e ajuda às pessoas da cidade. Esta reuniu-se com Lorde Aragão e seus conselheiros.

Ao fim desta, Lorde Aragão se reuniu com seus vassalos. Este explicara que os mortos-vivos levantavam por causa de uma espada amaldiçoada, e que esta clériga, cujo nome era Karla, tinha o poder para acabar com esta maldição. Lorde Aragão mandou enviar os bardos para diversas cidades de modo a contar dos horrores que estavam acontecendo e que necessitava de aventureiros dispostos a entrar nesta aventura. As recompensas seriam: glória, fama e riquezas.

Os bardos fizeram sua parte, pois de diversos lugares vinham muitos aventureiros que desejavam acabar com aqueles horrores. A única preocupação de Lorde Aragão era somente que viessem pessoas mal intencionadas em busca dos tesouros da cidade. Por conta disso, Vicent e mais dois guerreiros que se chamavam Hagrid Barba Negra e Ivan Mãos Élficas foram designados para abordar as pessoas que chegavam à cidade.

Eles deveriam ser o mais rude possível para que nenhuma pessoa com más intenções viesse à cidade para explorá-la.

Passado os guerreiros, eles foram até a audiência que Lorde Aragão iria ter com os aventureiros que chegavam. Ao término da audiência, Vicent, os dois guerreiros e mais um sarraceno foram escoltar a filha de Lorde Aragão para dar uma volta até a vila e para treiná-la como lutar contra os mortos-vivos. Vicent estava a caminho da vila quando foi interrompido por um mensageiro a cavalo que desejava lhe falar.

O mensageiro falou que o senhor Halford desejava que ele fosse ao seu encontro o mais urgente possível. Rapidamente, Vicent mudou o curso da viagem e foi ao encontro de Halford.

Na cidade, Halford o esperava no seu gabinete. Halford estava com a cabeça baixa e os braços cruzados; vestia sua roupa preta da guarda, e também uma cota de malha. Na sua bainha estava uma espada longa em forma de cruz negra. Sentido a presença de Vicent, Halford descruzou os braços, ergueu-se imponente da cadeira, foi até ele e apertou sua mão. Este falou que precisava dos serviços de Vicent como rastreador e caçador para uma tarefa de suma importância a Cruza-Rios. Vicent perguntou porquê o próprio Lorde Aragão não o solicitara, então, com um sussurro, Halford falou para esperar.

Este foi até a porta olhou para ver se alguém estava por ali e depois a fechou. Vicent o olhou com muita curiosidade e perguntou o que seria de tão misterioso. O que ele iria falar para ter tanta cautela. Halford disse que a espada continha um grande poder e que a clériga sabia como retirar o poder e transferir o poder da espada para outros e disse também que, ao portar o poder, a pessoa se tornava invencível, porém, se algum dos aventureiros encontrasse a espada ela não teria como fazer isso. Vicent ficou muito pensativo e imaginou como seria bom tornar-se um imortal!

Esperem que as próximas partes dessa grandiosa história serão postas aqui!

Estejam atentos, guerreiros, pois essa é a origem dos caras maus de Vento Verde!

André “O Espantalho”

Créditos ao escritor e escudeiro Marcelo “Jun”

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